Psicologia e reversão sexual: diferenças entre atuação científica e atuação religiosa




Governantes conservadores, pensamentos dogmáticos, interesses próprios, dentre outras diversas formas de modos de pensar e agir, tem trazido para a sociedade brasileira (e diga-se de passagem mundial) uma forte onda de conservadorismo baseadas em crenças, questões culturais e principalmente, fundamentadas em textos e passagens bíblicas. As discussões de temas como aborto, estupro, casamento e relacionamento homoafetivo, tem gerado uma onda de debates controversos, calorosos e até mesmo violentos. 

Em uma pesquisa realizada pela revista Exame revelou que mais de 40% da população brasileira reprova a realização do aborto, mesmo em casos de estupro e dois terços da população se diz contra casamentos do mesmo sexo. 

Diante de todo esse cenário conservador, uma questão que tem chamado bastante atenção, está relacionada a famigerada terapia de reversão sexual, vinculada a psicólogos que se denominam cristãos a favor da conservação da família tradicional. O conselho Federal de Psicologia, responsável pela fiscalização da atuação ética dos profissionais da classe, havia proibido qualquer tipo de prática envolvendo terapias de reversão sexual via resolução 01/99, a qual em processo judicial movido por membros da classe, foi derrubada, permitindo esse tipo de atuação. (Entenda o caso no site do CFP).



Conservadorismo aparece como uma das dificuldades de se dialogar questões sobre sexualidade


A questão: Por que profissionais da Psicologia querem trabalhar com terapia de reversão sexual?

A categoria psiquiátrica egodistonia por orientação sexual é comumente usada para problematizar a Resolução CFP 01/99. Entende-se que os sujeitos egodistônicos não se sentem confortáveis com a orientação sexual homossexual vivenciada. Entretanto, os fundamentos destes profissionais favoráveis a prática, está mais atrelado a questões de crenças pessoais, bíblicas e culturais (veja aqui, aqui, aqui e aqui) do que em embasamentos científicos. 

Nos casos onde os sujeitos não se sentem confortáveis com sua orientação sexual, o trabalho da psicologia está relacionado a compreensão de como os mesmos vivenciam. É cientificamente comprovado que, nesses casos, o principal motivo de sofrimento não está relacionado a sexualidade em si, mas no preconceito que essas pessoas sofrem em suas relações sociais. 

Profissionais de psicologia que trabalham com terapias de reversão sexual, desconsideram o aporte científico da profissão, a ética e agem sobre a luz de um livro sem cientificidade, ignorando que a psicologia é uma ciência e não achismo cultural. A ciência psicológica trabalha com questões culturais, a medida que o sujeito apresenta os espaços onde está inserido e como se relaciona dentro destes com os demais, de modo a compreender o desenvolvimento de sua própria subjetividade. Esses profissionais misturando conceitos, crenças e aspectos pessoais de suas evivências, tendem a influenciar a vida dos sujeitos com base em suas próprias experiências de vida, pratica incompatível com a ciência psicológica.

"Em um país que desponta na quantidade de pessoas assassinadas por orientação sexual, não cabe à Psicologia brasileira a produção de mais violência, mais exclusão e mais sofrimento a essa população estigmatizada ao extremo." - CFP.



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Publicado por:
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Psicólogo Ailton Melo  
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Referências:

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política nacional de saúde integral de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. 1 ed. Brasília: Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, 2013, 31p.

SANTOS, J. P., BERNARDES, N. M. G. Percepção social da homossexualidade na perspectiva de gays e de lésbicas. In ZANELLA, A. V., et al., org. Psicologia e práticas sociais. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. pp. 289-296.
Psicologia e reversão sexual: diferenças entre atuação científica e atuação religiosa Psicologia e reversão sexual: diferenças entre atuação científica e atuação religiosa Reviewed by Ailton Melo on dezembro 27, 2017 Rating: 5

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