Aprendendo superar as perdas dos relacionamentos e da vida





Sobre a perda e o luto:

Erroneamente, a maioria das pessoas acredita que o luto está relacionado somente a perda de alguém querido através da morte. No entanto, experienciamos o luto constantemente em nossas vidas, através de abandonos, términos de relacionamentos, não concretização dos nossos sonhos, mudanças que exigem abrir mão de algo. Nossas perdas também incluem as renúncias de nossos sonhos românticos, a perda de nossas esperanças irrealizáveis, nossas ilusões de liberdade, poder e segurança, assim como a perda de nossa juventude.

 Ao longo de nossa existência sempre perdemos algo ou alguém. E é esse sentimento atribuído ao que está perdido que da origem a dor. Partindo dos conceitos mais simples de perda, isso representa a falta ou ausência de algo que teve, seja fisicamente ou simbolicamente.

Essas perdas nos acompanharão ao longo de nossas vidas. Perdemos amados, empregos, amigos, animais de estimação, até saúde e juventude. Este processo tende a ser doloroso, mas também nos ajuda a crescer e, para isso, é necessário um processo de aceitação da realidade.

Este processo, conhecido como luto, é uma resposta adaptativa a uma perda e depende de cada pessoa. É então que de luto torna-se compreendido como o trabalho doloroso de aceitar a nova realidade.

As pessoas podem sofrer por muitas razões: a morte ou a ausência de um ente querido, o divórcio ou o término de relacionamentos, incluindo amigos, mudanças na rotina e/ou estágios da vida (mudanças de residência, escola, aposentadoria, etc.).,perda de saúde, perda de emprego, etc.

Não estamos preparados para a dor da perda, nós absorvemos que as perdas não são boas, nos ensinaram a querer sempre vencer, e perder vai contra. Não é a perda a origem do nosso sofrimento, mas o apego àquilo que desaparece . Eu não sofro pelo que não é, mas pelo que eu não tenho.

Nós temos dificuldade em nos livrar do que consideramos nosso, como podemos desistir então? Então eu sou forçado a desistir de algo que eu preferiria continuar tendo, e isso é algo inevitável, todos passamos por várias perdas, todas as nossas vidas, algumas são mais significativas do que outras, mas sempre nos encontraremos nessas situações.

O que fazer então para evitar a dor? Nada, a dor é inevitável, porque faz parte da experiência da vida, e somente através das experiências que crescemos, nos transformamos, avançamos. Felizmente, embora a dor seja inevitável, há algo que podemos fazer para tornar o processo menos doloroso, isto é, evitar o apego ao que já não existe, ao que não é mais.

Para superar a dor da perda, existe o processo de luto. Esse processo é descrito pela psiquiatra suíça Elisabeth Kϋbler-Ross, como um trabalho que evolve cinco fases para aceitação a realidade, sendo elas:


Negação:

Diante de uma perda, esse é o nosso primeiro mecanismo de defesa, o qual tenta adiar o impacto do evento para a realidade com pesamento de que "isso não está acontecendo, não quero, é um erro, tudo está bem". Esta fase está relacionada com o ganhar tempo e manter vivo aquilo que se perdeu, para não assumir a realidade e amortecer a maneira abrupta em que o fato aconteceu.


Negociação:

A pessoa passa a tomar consciência da realidade, mas procura negociar com a vida, crença, etc., para evitar o inaceitável. De alguma forma, acredita-se que possa haver uma mudança em certos comportamentos, em troca de evitar a realidade. "Eu vou fazer melhor, eu vou cuidar de mim mesmo, eu serei uma pessoa melhor, vou corrigir meus erros, vou mudar"


Depressão:

Quando nada do que foi tentado funciona para mudar a realidade, instala-se um estado de angústia, de desolação, onde se percebe uma maior consciência do que aconteceu, onde a fantasia se baseia na realidade.


Raiva:

Os sentimentos começam a se manifestar quando a resposta esperada não foi obtida, as questões dos "por quês" surgem e com eles os sentimentos de raiva, ódio e ressentimento com as pessoas e com a vida de maneira geral. Há explosões de raiva, a culpa é procurada e a manifestação de coragem se torna evidente contra os outros.


Aceitação:

Finalmente, o que parecia não ter fim foi resolvido, a raiva foi removida. Você aterrissa em uma realidade que não pode ser alterada ou negociada, você passa a aceitar o que aconteceu, estabelecendo avaliações e saldos, cedendo e aceitando a possibilidade de um futuro sem o que foi perdido.

Esses estágios não são dados em uma ordem específica, e a duração de cada uma é variável, também pode ser que, durante este processo, ocorram regressões para um estágio o qual já tenha passado.


Algumas orientações práticas para lidar com o sofrimento indicam:


  • Aceitar o processo de luto, juntamente com o que isso implica, não tente evitar sentimentos.
  • Comunique o que sente, chore, solte e não faça o "forte".
  • Se cercar com pessoas que são sua confiança e apoiá-lo.
  • Evite sobrecarregar-se, porque, fazendo isso, você apenas estará fugindo.
  • Não negligencie sua pessoa, porque você é a coisa mais importante que você tem.
  • Tenha seu tempo, não tente se apressar para "se sentir bem", procure um grupo de apoio.

Desenvolver autoconfiança e autoestima para lidar com as perdas também é necessário. Escrevemos um artigo sobre isso, e você pode conferi-lo clicando aqui.

Quando a pessoa não consegue aceitar a perda, os sentimentos predominantes são solidão, raiva e muita tristeza gerando atitudes evitadoras, podendo o processo de luto complicado tornar-se até mesmo patológico, tal como definido por Horowitz, como aquele cuja intensificação atinge o nível em que a pessoa transborda, permanecendo nesses sentimentos que parecem não ter fim, sem avançar em direção a sua resolução.

É importante sabermos que o  sofrimento é um processo que todos nós atravessamos em algum momento de nossas vidas e que não existem formulas ou segredos que nos impedirão de sofrer, mas que vivenciar essas fases nos impedirá de ficarmos presos as dores das perdas.


Obter ajuda:

Publicado por:

Portal de Psicologia Jovem com Ciência
Psicólogo Ailton Melo  
Portal: jovemcomciencia.com
Redes sociais e currículo:

Referências:

HOROWITZ, M. J.; KALTREIDER, N. B. Brief treatment of post-traumatic stress disorders. New Directions for Student Leadership, p. 67-69, 1980.

ROSS, E, K. On death and dying. New York: Scrib-ner; 1969.
Aprendendo superar as perdas dos relacionamentos e da vida Aprendendo superar as perdas dos relacionamentos e da vida Reviewed by Ailton Melo on janeiro 05, 2018 Rating: 5

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