Guia psicológico para oferecer os primeiros socorros emocionais


Quem nunca viu um ente querido sofrendo e quis muito ajudá-lo? As dores da vida são inevitáveis, mas, para lidar com elas, é muito útil ter alguém ao redor com quem possamos contar e receber ajuda.

Um dos maiores medos das pessoas que estão dispostas a ajudarem o próximo é exatamente o de não saberem de qual forma oferecerem essa ajuda.

Ajudar e estar disponível para acolher o sofrimento do outro, não significa que quem está disposto a oferecer ajuda tenha a necessidade de saber identificar as causas do sofrimento e dizer com todas as letras como o outro deve agir com seus sentimentos ou intervir diretamente com o que aconteceu com ele.

Ao oferecer ajuda é importante saber que algumas experiências vivenciadas ao longo da vida pela pessoa que está angustiada ou em sofrimento, podem deixar marcas que as tornam mais resistentes para se abrirem e se expressarem com os outros. Esse realidade é comumente percebida através de falas como:
Nossa, eu tentei ajudar, mas ele é muito fechado e não fala com ninguém. 

O fato é que todos nós  estamos passíveis de nos depararmos com uma morte, uma separação ou outro momento chocante ao longo de nossas vidas que podem nos abalar emocionalmente e fazer com que precisemos de ajuda com urgência. O problema é que muitos não sabem o que fazer ou, mesmo com todas as boas intenções, pioram as coisas fazendo o que não é "devido".

Se você testemunhou esse momento e  não sabia o que fazer para ajudar a pessoa que está passando por uma crise ou está em um momento de sofrimento, com este guia de primeiros socorros emocionais, você pode aprender boas formas sobre como oferecer ajuda em uma oportunidade futura.

1. Ofereça sua ajuda


Embora pareça óbvio, não é. Em tempos de incerteza, um dos melhores presentes que podemos dar é ser direto e franco com perguntas precisas, como: "O que posso fazer por você?" ou "como você está se sentindo diante disso?". O verdadeiro apoio emocional começa quando nos colocamos na tarefa de compreender em quais circunstâncias se desencadeia a dor, mas para tentar ajudar e não agradar a curiosidade.

Especialmente se a pessoa que sofre se sente segura e é confiável em relação a você, é melhor não tentar adivinhar o que ele precisa, mas ser claro e informá-la de que estamos presentes para ajudar.

2. Ouça


Outros casos em situações de dor são aqueles em que raiva ou dor conduzem a pessoa a um alto grau de tensão onde é melhor deixá-la respirar. Embora as emoções às vezes revelem comportamentos e coisas ruins sobre nós mesmos, é hora de ser paciente com aquele que está ferido e apoiá-lo ouvindo-o incondicionalmente, sem julgamentos, mesmo que concordemos ou não com as atitudes que desencadearam esse sofrimento, assim como não realizar julgamentos diante do que essa pessoa diz ou sente. Apoiar é estar atento às necessidades da outra pessoa e às vezes isso significa não falar muito e ouvir muito.

O aconselhamento exagerado também não é útil, principalmente quando se tenta impor uma ideia a qual possamos acreditar ser a 
melhor para o outro diante da situação e, muito menos, tentando forçar essa pessoa que está sofrendo a fazer coisas ou a agir como nós acreditamos, mas que elas não querem ou não estão prontas. Dê-lhe a oportunidade de se expressar e apenas escute honestamente.

3. O silêncio também importa


Não há motivo para relacionar o silêncio com desconforto. Estar lá, ao lado daquele que chora e sofre, é uma boa maneira de ajudá-lo, isso também implica aceitar os silêncios como algo completamente natural. Mostrando que o silêncio não incomoda, mas que mesmo em silêncio você está ali presente, a acolhendo, de modo em que somente a sua presença possa representar acolhimento, o que pode ser incrivelmente útil para ajudar a reduzir as tensões e as frustrações que podem ter ferido os sentimentos do outro. 

Tudo tem o seu tempo e, após essa relação de acolhimento, mesmo que em silêncio, existe a oportunidade de se buscar acompanhamento psicológico para guiá-lo sobre como lidar com esses maus momentos e sentimentos.

4. Respeite o choro


É normal que doa ao vermos alguém que amamos sofrendo. Certamente queremos que essa outra pessoa se acalme e não chore, mas em face de tragédia ou tristeza, chorar não é ruim. Independentemente de gênero e sexualidade, chorar (até certo ponto) é um ato libertador e terapêutico muito útil. Em muitas sociedades, começou-se a entender que chorar é um bom exercício para liberar tensões e frustrações.


Ofereça um abraço sincero e sem pressão. Mais do que ter o conselho perfeito, às vezes o ato de estar perto, ter contato físico e vínculo, ajuda a pessoa a exteriorizar o que sente e a sentir-se cercada, envolvida com amor.

5. Não pressione


Ajudar e estar disponível para o outro não significa que o último tenha a obrigação de dizer ao pé da letra o que ele sente ou o que aconteceu com ele. Lembre-se que o importante não é você e que as circunstâncias que passaram não modificam a dor que já despertou nesse coração.

Algumas pessoas deixam de falar e verbalizar sua raiva, sua dor e frustração sem qualquer restrição... Outros permanecem em silêncio e preferem não revelar nada. Ambas as posições merecem o seu respeito e você deve intervir sempre considerando os sofrimentos e sentimentos do outro.

A elaboração das tristezas e sofrimentos emocionais necessita do movimento de se entrar em contato com comportamentos e sentimentos que desencadeiam essas dores, de modo a reconhecer sua  importância e resignificar essas emoções traumáticas de forma saudável e inspiradora. Ailton Melo

6. Mantenha-se alerta


Quando existem crises e episódios de depressão, a vida pode ser percebida como uma visão através de uma lente embaçada, ou seja, quem está em sofrimento pode perder de vista o que é importante e se deixar levar pelo mar de sentimentos e emoções ruins que foram despertados por suas vivencias passadas. O que você pode fazer para cuidar dessas pessoas é as acolhendo genuinamente, mesmo que esse acolhimento venha dentro da rotina, como o simples fato de perguntar se o outro já tomou o café da manhã... Detalhes simples, mas que farão com que o outro se sinta apreciado e importante.

7. Dê espaço


Cada cabeça pensa e vive um mundo absolutamente diferente, é impossível generalizar e adivinhar sobre o que o outro esta pensando, portanto não existe uma receita pronta ou um manual da vida humana, então, embora pareça angustiante para quem quer oferecer ajuda, dar tempo parta que a pessoa possa estar sozinha, pode representar uma atitude de respeito.

Você pode estar alerta para qualquer coisa, enfatizar que você estará lá quando precisar, mas é preciso compreender também que, parte do amor é entender que algumas pessoas preferem estar sozinhas quando estão tristes e isso também não é ruim.

É uma questão de não tentar impor seus métodos, mas de ir com cautela e mostrar interesse. Evite cair em extremos de desinteresse ou colocar muita intensidade em suas ações sobre sua ajuda oferecida, ao
 ponto de ser invasivo sobre a vida do outro.

Lembre-se de que, em situações difíceis, você pode propor a ajuda de profissionais de psicologia. Não há nada de errado em procurar ajuda, o ruim é não procurar quando você realmente precisa. Além disso, se você pode fazer a diferença na vida de alguém que sofre, experimente oferecer sua ajuda, vale a pena.

Nessas situações é bom ter clareza da diferença entre depressão e tristeza para saber com auxiliar, clique aqui e confira nossa matéria sobre.

Guia psicológico para oferecer os primeiros socorros emocionais Guia psicológico para oferecer os primeiros socorros emocionais Reviewed by Ailton Melo on fevereiro 21, 2018 Rating: 5

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