Liderança, coragem e os perigos do egocentrismo e da ignorância

liderança e ignorância

Atualmente, vivenciamos um cenário político delicado. Os líderes da nação, elegidos pela sociedade comum, parecem ter dado as costas para os interesses e objetivos do bem comum social, de modo a fazerem valer e realizar apenas seus anseios pessoais. Mas será que uma liderança como essa tem prazo de validade quando passada por cima de toda uma sociedade? 

Por ser essa uma questão delicada e complexa, para respondê-la, devemos retomar a história a qual o mundo foi construído, considerando a vaidade, o ego, medo e a ignorância e como isso hoje influencia em nossas relações de poder. 

O medo é uma qualidade de liderança altamente valorizada. Ignorância e tolice não é.


Infelizmente, praticando o primeiro muitas vezes corre o risco de revelar-se o último, causando ansiedade significativa naqueles que almejam a liderança.

Em uma tentativa de esclarecer a questão "Como ser destemido sem ser ignorante?" Criamos a seguir, uma lista que destaca os diferentes tipos de liderança resultantes da combinação dessas duas variáveis.

  • Líderes inteligentes e assustados desperdiçam seus talentos.
  • Líderes assustados e tolos têm pouco a oferecer no caminho da liderança.
  • Líderes que são ignorantes e destemidos são positivamente perigosos.
  • Líderes inteligentes e destemidos tendem a ser confiáveis.
  • A chave para ser um Líder Confiável é reconhecer que somos biologicamente determinados a ser tanto medrosos quanto ingênuos.

Somente reconhecendo e superando nossas limitações, bem como os contextos e relações através de muitas reflexões, é que somos capazes de nos tornarmos destemidos sem sermos ignorantes.


Biologia Evolutiva

Nós somos quem somos hoje como resultado de séculos de adaptação evolucionária, com a mudança biológica ocorrendo de forma incrivelmente lenta.


Nossos corpos são, assim, otimizados para sobreviver em circunstâncias substancialmente diferentes daquelas em que vivemos no passado.

Essa relação explica o porque hoje nós superestimamos o perigo de causar inquietações a sociedade, colocando nossos anseios em primeiro lugar, em detrimento de toda uma comunidade. Essa situação pode tornar o sujeito que busca pela liderança, momentaneamente mais forte, no entanto o torna menos inteligente,  a medida em que desafia e ameaça  o desenvolvendo da inteligência emocional de todo o restante da sociedade. 

Quando tomamos consciência e questionamos nossas respostas emocionais em relação aos nossos objetivos de longo prazo e a relação destes com o contexto social e histórico, somos capazes de superar nossas reações de ignorância, tolice, insegurança ou excesso de segurança, de modo que nossos objetivos também tenham relação com a realidade social e com os objetivos dos demais.


Medo e construção social histórica

Assim como nossas emoções são fortemente influenciadas pelo contexto histórico, nossos pensamentos também são.

Pesquisas recentes em ciência cognitiva demonstraram que estamos sujeitos a um viés de confirmação em um grau alarmante.

Nossas crenças pré-existentes, especialmente quando são profundamente dominadas por determinados pensamentos e estão emocionalmente enraizadas, são difíceis de abalar/contestar, não importa quão verdadeiras ou falsas elas sejam, e por mais convincente que seja a evidência contraditória.

Nós somos muito mais propensos a sermos objetivos sobre as opiniões dos outros do que sobre os nossos.

Uma explicação para isso é que nosso aparato cognitivo se desenvolveu em um tempo e lugar onde a capacidade de ganhar um argumento tinha mais valor de sobrevivência do que a capacidade de ver o mundo objetivamente. Por isso, somos projetados para o auto-engano e nele nos mantemos sem contestar.

Isso explica porque procuramos principalmente sempre estar certos, e não o quão certo estamos, nos argumentos atuais.

Para se proteger contra essa ignorância falha, precisamos nos perguntar: "O que eu poderia descobrir que me faria mudar de ideia sobre essa questão?", Em vez da pergunta mais natural: "Como posso reforçar minha opinião sobre essa questão?"

Nossas opiniões mais fortes tendem a ser menos fundamentadas.

Concluindo

Ninguém disse que ser destemido sem ser ignorante é fácil. Requer a disciplina para notar e resistir às tendências "naturalizadas" que carregamos a partir das nossas experiências advindas dos contextos históricos.


Mas a recompensa é substancial. Em vez de desperdiçar nosso potencial de liderança, ou ser um perigo para os outros, somos capazes de obter resultados que somente líderes genuínos em posições de confiança são capazes de alcançar.

Confira também nossa matéria sobre a importância de ter um tempo sozinho para melhorar nossas relações e por que a bondade e gentileza muitas vezes é associada a fraqueza.

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Publicado por:

Portal de Psicologia Jovem com Ciência
Psicólogo Ailton Melo  
Portal: jovemcomciencia.com
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Referências:

HEIFETZ, R. A.; LINSKY, M. Leadership on the Line: Staying Alive Through the Dangers of Leading. 1. ed. New York: Harvard Business School Press, 2002. 224 p.
Liderança, coragem e os perigos do egocentrismo e da ignorância Liderança, coragem e os perigos do egocentrismo e da ignorância Reviewed by Ailton Melo on abril 21, 2018 Rating: 5

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