O que acontece quando um paciente menciona o suicídio na terapia?


Pacientes que pensam em cometer o suicídio, não estão sozinhos quando trata-se de revelar esses tipos de pensamentos, no entanto, em terapia o medo da resposta do terapeuta, com base na própria experiência da pessoa ou no que ouviram, pode desencorajá-las a procurar tratamento se pensarem em suicídio. Da mesma forma, uma pessoa em terapia pode esconder seus pensamentos sobre desejar estar morto por medo de julgamentos que em muito é presente na sociedade.

Uma pessoa também pode ter vergonha de seus pensamentos suicidas, acreditando que eles representam uma falha pessoal de sua parte, quando na verdade eles são respostas diante de sofrimento intenso. Se essa pessoa não se sentir livre para se abrir sobre esses pensamentos em terapia, ela pode não ter lugar para discuti-los. Mais perturbadoramente, escolher não procurar tratamento por esse motivo pode impedir que uma pessoa receba a ajuda de que precisa, aumentando assim o risco de agir sobre os pensamentos suicidas. Psicólogos e médicos geralmente consideram um sinal positivo quando um paciente revela pensamentos de querer morrer; é muito mais preocupante quando uma pessoa suicida não diz nada e, portanto, permanece em maior risco. 

Embora as especificidades variem entre os profissionais de saúde mental, a abordagem padrão para discutir o suicídio inclui perguntar sobre:


  • Os pensamentos de querer morrer ou pensar que seria melhor estar morto (chamado de "ideação suicida passiva");
  • Pensamentos de se prejudicar ou atentar contra si; 
  • Do desejo de matar a si mesmo;
  • De um possível plano para concretizar o ato;
  • Dos passos que tomou para se preparar para o suicídio (por exemplo, doação de pertences);
  • Sobre o acesso aos meios para cometer o suicídio (por exemplo, possuir uma arma).


Obviamente, as etapas posteriores representam um nível mais sério de risco; muitas outras pessoas terão tido pensamentos passageiros de não querer mais estar por perto ao invés de realmente formular um plano de suicídio. Além disso, o psicólogo perguntará sobre as razões para não tirar a própria vida, como: "Eu nunca poderia fazer isso com meus filhos". 

A gravidade do risco determinará o curso de ação. Um alto nível de perigo para a pessoa pode exigir hospitalização para garantir sua segurança. Quando o clínico conclui que não há emergência, é provável que desenvolva um plano de segurança com o seu paciente. O plano incluirá maneiras para a pessoa administrar pensamentos e impulsos suicidas, organizados como uma série de etapas:

Passo 1.  


O primeiro passo é identificar os sinais de alerta - pensamentos, sentimentos, comportamentos ou situações - que aumentam o risco de suicídio. Por exemplo, uma pessoa pode reconhecer o pensamento: "Eu estaria melhor morto". A presença de sinais de aviso leva ao Passo 2.

Passo 2.  

O próximo passo é usar estratégias de enfrentamento que não requeiram contato com ninguém, como ouvir música relaxante ou se exercitar. A vantagem dessas abordagens é que elas estão sempre disponíveis, em princípio. Se eles não forem suficientes para neutralizar a crise potencial, siga para a Etapa 3.

Passo 3.

O terceiro passo é entrar em contato com pessoas que podem fornecer distração e alívio - não necessariamente as pessoas confiarem na probabilidade de suicídio, mas as pessoas com as quais a pessoa gosta de estar. O plano incluirá uma lista de nomes de pessoas e suas informações de contato, além de experiencias sociais que podem fornecer distração (por exemplo, ir ao shopping).

Passo 4.

Se necessário, o quarto passo envolve entrar em contato com um amigo ou membro da família especificamente para pedir ajuda. Este passo é mais intensivo do que o anterior porque envolve revelar os pensamentos de suicídio. O plano de segurança incluirá os nomes e as informações de contato de várias pessoas que o indivíduo poderia contatar.

Passo 5.

O quinto passo é contatar profissionais ou agências, incluindo o psiquiatra ou outro profissional de saúde mental, se aplicável. Também pode incluir serviços locais de atendimento de urgência e instalações de tratamento 24 horas, bem como o Centro de Valorização da Vida (CVV) através do telefone 188. Também é importante manter o ambiente o mais seguro possível, como não ter acesso fácil aos meios de suicídio (por exemplo, um estoque de medicamentos potencialmente letais). Finalmente, o plano listará o que é mais importante para a pessoa - o que faz a vida valer a pena.

Muitos médicos e psicólogos podem ter sido treinados para obter um "contrato de segurança" ou "contrato sem suicídio" assinado pelo paciente, que em essência é uma "promessa" do paciente de não tentar o suicídio. No entanto, esses contratos obviamente não são aplicáveis, e há evidências mínimas que eles diminuem o risco de suicídio. Esses contratos também não incluem um plano de como a pessoa reduzirá suas chances de cometer tal ato. Além disso, eles podem interferir na relação terapêutica, especialmente se o paciente se sentir coagido a assinar o contrato. Os pacientes também podem suspeitar - talvez com razão - de que o contrato é mais uma questão de proteger o terapeuta do que o paciente.

Em contraste, formular um plano de segurança em conjunto pode fortalecer o vínculo entre o terapeuta e o paciente, pois eles colaboram em  direção a um objetivo comum de manter o paciente seguro para que o trabalho de cura possa continuar. É também uma abordagem empoderadora, pois inclui o paciente no planejamento e na tomada de decisões em um momento em que a pessoa é particularmente vulnerável e pode temer uma perda automática de liberdade e autonomia, mencionando a palavra "suicídio".  

Os profissionais de saúde mental devem ser treinados em como responder com confiança e empatia quando uma pessoa diz que pensou em suicídio. A resposta deve incluir uma discussão colaborativa para determinar o nível de risco e o desenvolvimento de um plano de segurança.

Se você teve pensamentos de suicídio e está preocupado com sua segurança, por favor, diga a alguém em quem você confia. Você também pode ligar para o Centro de Valorização da Vida através do número 188 (ligação gratuita), que está disponível 24 horas por dia, 365 dias por ano.

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Publicado por:
Portal de Psicologia Jovem com Ciência
Psicólogo Ailton Melo  
Portal: jovemcomciencia.com
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O que acontece quando um paciente menciona o suicídio na terapia? O que acontece quando um paciente menciona o suicídio na terapia? Reviewed by Ailton Melo on outubro 01, 2018 Rating: 5

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