O que é sexo normal?


Não é o que você provavelmente está pensando - e é realmente importante.

Eu sei que você realmente quer saber. Todo mundo quer saber. Nós pesquisamos na web, assistimos pornografia, lemos livros de auto-ajuda e ouvimos podcasts sobre sexo. Se formos corajosos, perguntamos até aos nossos melhores amigos, tudo para sabermos se somos sexualmente "normais". Mas será que sermos sexualmente "normais" é algo bom ou vantajoso?

Quase todo mundo quer saber como é o sexo para outras pessoas. Ou, em outras palavras, o que é sexualmente “normal”? Quantas vezes, quantos minutos, quantos orgasmos, quantos centímetros, quantos parceiros, quanto, onde, quando? E como?

Venho desde o início de meus estudos respondendo perguntas  feitas por meus pacientes, meus leitores, em apresentações de congressos científicos, encontros e jornadas sobre o tema "sexo normal".

Mas Por quê? Porque as pessoas inevitavelmente usam as informações de maneiras terrivelmente não úteis. Tanto homens quanto mulheres querem se comparar a alguma “média” e julgar a si mesmos: ou “eu sou / somos como outras pessoas, então sou / estamos bem” ou “eu sou / nós” não somos como as outras pessoas, então eu não estou bem. ”O pior de tudo é: "Eu te disse, você não é normal".

Toda essa série de questionamentos nada mais são do que grandes equívocos. Se uma vida sexual funciona para os outros, tudo bem, mas isso não significa que ela vai funcionar para você. Nesse sentido, na verdade o que os outros fazem é irrelevante. E o que é "normal" e funciona para outros, definitivamente não significa que também ira funcionar com você.

Abaixo, estão listados alguns dados sobre estudos científicos realizados entre os anos de 2015 à 2018, sobre as práticas e comportamentos sexuais de adultos no Brasil e em todo o continente americano, para melhor compreendermos como a prática sexual é realizada por essas pessoas.

Os adultos fazem sexo com menos frequência depois de algum tempo de relacionamento

Depois que o ápice do tesão inicial desaparece, a maioria das pessoas diminui a prática sexual. Muito poucos adultos (novamente, após os primeiros 6 a 18 meses de relacionamento) dizem: "Querida, vamos passar o sábado à noite fazendo amor", ou "Oh, seus pais estão levando as crianças amanhã à noite? Vamos fazer sexo ao invés de sairmos. A tendência de diminuir a prática sexual ao longo do tempo nos relacionamentos tem sido bastante observada, e existem vários motivos que podem fazer com que a relação esfrie ou o desejo sexual pelo parceiro diminua ou até mesmo acabe.

Quando estamos cansados, o sexo também tem mais chances de ser curto, superficial, objetivo e mecânico. Pouca energia para beijar. Sem paciência para acariciar, mordiscar ou sussurrar. E se algo não for planejado - uma cãibra nos pés, uma ereção que vem e vai, é mais provável que o desejo também diminua.

Muitas pessoas não estão sóbrias durante (ou antes) do sexo

Embora muitas pessoas digam que fazer sexo sobre o efeito do álcool, maconha ou algum outro tipo de droga potencializa o prazer, isso geralmente acontece por conta do nervosismo, ansiedade, ou por quererem reduzir as inibições de seus parceiros (ou simplesmente acalmá-los), convidando-os a beber. Ou porque o sexo é fisicamente ou emocionalmente desconfortável.

Quando as pessoas estão sob a influência de alguma dessas substancias, é claro, a tomada de decisão é comprometida. Elas são menos propensas a usar algum tipo de proteção na hora do ato, e menos propensas a se comunicar de forma clara. A coordenação motora, que torna o toque e o beijo mais agradáveis, também fica comprometida. Ser desajeitado na cama (e não perceber) não motiva exatamente o parceiro.

E pode ser mais difícil chegar ao clímax também. Depende de qual droga e quanto a pessoa usou.

Mesmo as pessoas íntimas geralmente não têm certeza do que o parceiro gosta

Depois de cinco ou seis meses juntos, duas pessoas sempre conhecem as preferências umas das outras em comida, música, filmes, estilos de direção e sistemas operacionais. Mas e o sexo? Muitas pessoas hesitam em falar e mostrar sobe suas preferências sexuais. Diálogos como “eu gosto mais do clímax do sexo oral do que da própria penetração" podem aumentar o prazer da relação, de modo com que ambos passem a se conhecer melhor no ato sexual, no entanto, esses tem sido evitados, geralmente por vergonha e inseguranças.

Imagine cozinhar o jantar para alguém e não saber do que essa pessoa gosta ou não. Imagine sair de férias com alguém e não saber se tem pavor de voar ou se gosta de ficar bêbado em aviões. Agora imagine ter uma relação sexual com alguém e não saber do que essa pessoa gosta e não gosta. Ou não acreditar que a pessoa está satisfeita quando diz que está.

Talvez essa seja sua experiência no sexo. Esse sim é um fato preocupante. No entanto isso é considerado "normal",  muito comum e socialmente aceitável.

As pessoas freqüentemente me perguntam sobre técnicas, brinquedos ou posições para fazer sexo melhor. Perguntar sobre as preferências de alguém - e acreditar nelas - é a maneira mais fácil de melhorar nossas experiências sexuais. Não requer equipamento, força física e é grátis.

Muitas pessoas que usam estimulantes sexuais escondem do (a) parceiro (a)

Essa situação em parte, é uma coisa de orgulho: "Eu não quero que ela saiba que eu não sou homem o suficiente sem isso", mas em parte é auto-defesa: "Então João, eu não te excito o suficiente?" talvez você não me ame de verdade?”.

É verdade que muitos problemas de falta de desejo ou impotência são sobre as emoções do sujeito ou sobre o relacionamento (ou ambos). Mas muitos não são. E mesmo quando o seu (ou do seu parceiro) são por esses dois motivos, a forma de se explorar isso não é com acusações, interpretações ou defensiva.

Deve envolver uma série de conversas colaborativas em que cada parceiro aprenda mais sobre o outro, e os dois eventualmente explorem formas de desfrutar de sexo que não exigem uma ereção/penetração, como o gouinage.

Eu não digo que todo mundo que faz uso de estimulantes sexuais tem que dizer ao seu companheiro (a). Mas a maioria dos relacionamentos não precisa de mais um segredo, que pode contribuir para brigas, desentendimentos e questionamentos da própria relação.

Todas essas práticas sexuais são as mais comuns e "normais" no continente americano. Esses dados são importantes para que possamos compreender que, nem tudo aquilo que parece "normal", de fato é sinônimo de algo saudável e esperado, mas podem significar um problema quando a sua realidade não se aplica ao fato. 

Por isso é importante compreendermos que cada pessoa tem seus próprios desejos em relação ao sexo, e que não existe uma regra ou formula mágica para tornar esse momento mais prazeroso, que não seja o diálogo, pois é através dele que ambos podem se conhecer e se descobrirem na prática.

Referências:









O que é sexo normal? O que é sexo normal? Reviewed by Ailton Melo on janeiro 07, 2019 Rating: 5

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